Jorge do Amaral

 

O facto foi anunciado na segunda-feira, em Luanda, pelo presidente do Conselho de Administração do grupo empresarial Alcaal, gerente da Textang II, Jorge Amaral, que considerou o cumprimento da respetiva meta como um fator crucial para assegurar o pleno funcionamento da indústria têxtil em Angola.

Segundo o gestor, que falava durante a reunião entre o ministro da Indústria e Comércio e operadores do setor, a empresa está a testar a produção de sementes de algodão há três anos, na Baixa de Cassanje, em Malanje, para responder a este desafio.

Juntamente com o algodão, adiantou que, ainda este ano, a empresa vai começar a produzir soda cáustica, matéria-prima também utilizada no fabrico de tecidos, o que vai reforçar a competitividade da indústria têxtil nacional.

Na ocasião, ele ressaltou que, neste ano, a Textang gastou cerca de 2,5 milhões de dólares na importação de matérias-primas para manter a fábrica funcional.

Quanto à operacionalização da unidade fabril, que conta com 250 trabalhadores, reiterou que a unidade fabril tem capacidade para produzir 10 milhões de metros de tecido/ano, mas atualmente a sua produção está abaixo dos 10% dessa capacidade.

Perante este cenário, apelou à necessidade de o mercado nacional se unir em torno do tecido produzido no país, para que a fábrica seja cada vez mais competitiva e forte.

Por seu turno, o ministro da Indústria e Comércio, Rui Miguêns de Oliveira, lembrou que o Estado angolano tem injetado investimentos significativos para a operacionalização da indústria têxtil no país, mas a atual produção ainda “não satisfaz o mercado interno”.

“Não estamos satisfeitos com o atual nível de incorporação de conteúdo local na indústria do vestuário e na geração de renda, bem como com a criação de emprego e oportunidades de negócios no setor”, disse.

Por esta razão, Rui Miguêns de Oliveira manifestou a necessidade de aumentar a produção de algodão, por ser a base essencial para tornar funcional o setor industrial, e de acelerar o fabrico de tecidos nas unidades industriais existentes.

Referiu que, no âmbito da nova Pauta Aduaneira, o Governo criou as condições necessárias para que a indústria têxtil e do vestuário pudesse ser protegida em termos de direitos aduaneiros, com o aumento dos impostos sobre os produtos têxteis importados.

Esta medida, disse, deve ser compensada com a aceleração da indústria têxtil e do vestuário a nível nacional, para que o aumento de impostos se possa traduzir numa maior empregabilidade e distribuição de rendimentos para o país.

O encontro entre o Ministro da Indústria e Comércio e operadores deste sector teve como objetivo refletir sobre questões relacionadas com as reais oportunidades no sector têxtil do país.

Os desafios e perspetivas do mercado do vestuário no país, face à entrada em vigor da nova Pauta Aduaneira, também dominaram o encontro, que contou com a presença da Associação das Indústrias Têxteis e do Vestuário de Angola (AITECA), Baobá, entre outros operadores.

Localizada no município do Cazenga, em Luanda, a Textang II foi um dos ativos do Estado levados à privatização, no âmbito do Programa de Privatizações (PROPRIV), iniciado em 2019.

 

 

Fonte: Angop